Wonder Boy: Asha in Monster World | Review

Eu sou um fã confesso da franquia Wonder Boy. Talvez por ter sido um dos primeiros jogos que joguei na vida – ainda sobre a roupagem de Turma da Mônica no Brasil, me diverti jogando muitos desses jogos na infância. O tempo passou, meu gosto e paixão por jogos eletrônicos mudou muito, mas algo permanece intacto: minha admiração pela obra de Ryuichi Nishizawa.

Isso nos leva ao tema da análise de hoje: Wonder Boy: Asha in Monster World. Lançado na última sexta-feira, 28, para PlayStation 4 e Nintendo Switch, o game é um remake completo de Monster World IV, como o título era conhecido no Japão. Confesso que este foi um dos jogos que eu nunca havia jogado, e então eu tinha duas missões nessa aventura: analisar o jogo em si, e como o remake se portava. Bora pra mais uma review do Pizza Fria?

Um ótimo jogo de plataformas

Monster World IV foi originalmente lançado em 1994 e eu pude jogá-lo somente em 2021, já adulto. Bom, o que isso quer dizer? Basicamente que eu não vou considerar o fator nostalgia nessa review, mas sim, avaliár Wonder Boy: Asha in Monster World somente como um produto de entretenimento. E nisso, o game cumpre um bom papel!

Wonder Boy: Asha in Monster World, ao contrário dos primeiros jogos que caracterizaram à franquia, não oferece a oportunidade de transformamos nossa protagonista, Asha, em animais. Durante toda a aventura, temos que jogar com a personagem e somente com ela. O game tem uma identidade única, não sendo somente um jogo de plataformas, e também não sendo um metroidvania, como a série também se caracterizou.

Wonder Boy: Asha in Monster World
Wonder Boy: Asha in Monster World se apresenta como um jogo de ação lateral e plataformas (Imagem: Divulgação)

O gameplay de Wonder Boy: Asha in Monster World é bastante simples, mas extremamente funcional para aquilo que o jogo se propõe. Asha embarca em uma aventura e se vê com a difícil missão de salvar o mundo. Ao lado do Pepelogoo, você deve salvar os espíritos elementais, aprisionados por poderosos magos que tomam controle da pacata cidade de Rapadagna e oferecem perigo até mesmo à rainha Purapril XIII.

Como um bom jogo de ação lateral, você deve avançar por quatro regiões para liberar os espíritos e, posteriormente, retornar a Rapadagna e adquirir novos itens, armas e armaduras, para prosseguir com sua aventura. Nada que te faça sair da bolha tradicional de jogos no estilo, mas funciona e diverte.

Wonder Boy: Asha in Monster World
Boss battles não tão tão criativas, e também não muito difíceis (Imagem: Divulgação)

O que há de Wonder Boy no game?

Como alguém que jogou toda a trilogia original, o remake de Wonder Boy III: The Dragon’s Trap e até mesmo o totalmente excelente Monster Boy and the Cursed Kingdom, eu preciso avisar que há muito pouco da obra original ali. São elementos de gameplay que lembram, muito de longe, o que Ryuichi Nishizawa criou. Mas, mas uma vez, não entendam isso como algo ruim.

Wonder Boy: Asha in Monster World tem sua própria identidade, e funciona bem assim. É um jogo consideravelmente menor do que os demais, com um grau de dificuldade bem mais baixo também. O troféu de platina é moleza, e talvez quem tenha jogado Monster World IV vai descobrir que os devs do jogo foram bem criativos nessa parte, nos fazendo explorar o que o game oferece e tocando o coração dos fãs do jogo original.

Wonder Boy: Asha in Monster World
O Pepelogoo estreou na franquia em Monster World IV (Imagem Divulgação)

Por outro lado, é preciso ressaltar um detalhe importante: ao contrário de Wonder Boy III: The Dragon’s Trap, nós não podemos jogar a obra original dentro de Wonder Boy: Asha in Monster World. Monster World IV até ganhou uma versão para as plataformas modernas, mas apenas como um bônus na edição física e uma instalação separada. No entanto, a ININ Games disponibilizou uma cópia digital do original para o Pizza Fria, e eu pude comparar com o remake.

E essa comparação é incrível. O remake foi criado pensando nos mínimos detalhes, desde mapas e personagens semelhantes, até mesmo com a interface e golpes atualizados. Tudo é bastante familiar e funcional. As diferenças, no entanto, existem, mas ficaram melhores, já que o jogo teve elementos de gameplay atualizados para os tempos modernos, com remapeamento de botões, novo design dos personagens, dublagem em japonês, animações e etc. Eu joguei primeiro o remake e depois o original e conclui que, no fim de tudo, temos uma ótima obra.

Wonder Boy: Asha in Monster World
Wonder Boy: Asha in Monster World traz quatro biomas diferentes, cada um variando um pouco o gameplay (Imagem: Divulgação)

Vale a pena comprar Wonder Boy: Asha in Monster World?

Eu gostei bastante da minha experiência com Wonder Boy: Asha in Monster World, tanto que busquei o troféu de platina para a minha coleção. É um jogo com um gameplay familiar, divertido, e uma história simples, porém boa o suficiente para fazer o game avançar. O peso contrário fica por conta da ausência de legendas em português do Brasil, e também pelas edições digitais não acompanharem uma cópia de Monster World IV, ou mesmo o game não ter a possibilidade de alterar entre o original e o remake pressionando apenas um botão.

Desenvolvido pelo STUDIOARTDINK e publicado pela ININ Games, Wonder Boy: Asha in Monster World está disponível para PlayStation 4 e Nintendo Switch, mas ganhará uma versão para PC, via Steam, ainda em junho. No Metacritic, o game conta com média de 69 pontos na versão avaliada.

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela ININ Games.

Wonder Boy: Asha in Monster World

R$ 174,50
7.6

História

7.0/10

Gameplay

8.5/10

Gráficos e Sons

9.0/10

Extras

6.0/10

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5 e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.