West of Dead | Review

Eu gosto demais de jogos que se baseiam na temática de faroeste. Tiroteios, chapéus, aquele sotaque diferenciado dos personagens e o clima de constante tensão sempre foram detalhes que me chamaram muito a atenção. E West of Dead tenta descambar justamente por aí. O game da Raw Fury e da Upstream Arcade lançado para PlayStation 4, Nintendo Switch, Xbox One e PC, via Steam, é um roguelike que mistura aspectos de shoot-‘em-up com visão isométrica em uma aventura repleta de ação por um submundo western, narrado pela voz icônica de Ron Pearlman, conhecido por interpretar o primeiro Hellboy.

Mas será que o game funciona ao misturar tantos aspectos? Há algo de novo ou realmente relevante? Sem mais delongas, vamos observar tudo isso aqui, em mais uma análise do Pizza Fria!

A trama de West of Dead

Ao iniciarmos nossa aventura em West of Dead, controlamos William Mason, um estranho caubói com a cabeça em chamas que acaba de chegar ao submundo. Não sabemos muito sobre ele ou o ambiente, e até então, está tudo bem. Porém, com o decorrer da aventura, vamos compreendendo algumas coisas. Sem expor demais a história, nosso protagonista é um pistoleiro sem memória do final do século XIX, que chega a cidade de Purgatory, um lugar escuro e cheio de inimigos macabros que está em constante mutação, por meio da geração procedural do mapa que faz cada começo ser diferente do anterior.

A narrativa não é nem o ponto principal em West of Dead, mas ela traz um mínimo de sentido para as coisas que acontecem. No geral, ela é fraca e os monólogos do personagem, por mais que contem com a voz de Ron Pearlman, acabam sendo um pouco enjoativos. Aliás, praticamente no jogo todo só ele fala. Os outros são representados por balões de diálogo. Ou seja, a história só endossa a jogabilidade, sendo este o principal aspecto a ser discutido.

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O cenário de West of Dead é obscuro e interessante. (Imagem: Divulgação)

O velho estilo roguelike (mas com muitos tiros)

West of Dead é um roguelike bem insano. No entanto, por apresentar o uso de armas como pistolas e espingardas, a sua ação é intercalada com momentos em que táticas são necessárias para sobreviver. E isso é possível ao se esquivar dos ataques inimigos e buscar cobertura em caixas e túmulos quebráveis pelo mapa, que possibilitam assim esperar o tempo de carregamento dos ataques, que tornam o jogo diferente de outros com a lógica run & gun (correr e atirar).

Tudo realmente é muito tático e se adequa ao estilo do jogador: das típicas escolhas de boosts dados ao longo da trajetória, optando por aumentar a vida do personagem, o dano das armas e das habilidades, até a escolha das armas ao longo do caminho – duas de ataque primário e duas de ataques de “habilidade”, contando com lançamento de armas brancas, dinamites ou até mesmo escudos – tudo é essencialmente estratégico.

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É tiro pra todo o lado! (Imagem: Divulgação)

O jogo apresenta uma dificuldade gradativa, embora todos os inimigos tenham uma mira impecável e isso seja um aspecto comum em toda a aventura, que é dividida em capítulos, onde você mantém parte de algumas conquistas. No quesito johabilidade, tudo acaba sendo questão de hábito e treino, mas alguns pequenos detalhes poderiam ser aprimorados. Por exemplo, ao passar ao lado de uma caixa/cobertura, o personagem automaticamente anda devagar, utilizando dessa cobertura. Outra coisa que deve ser levada em consideração são algumas “travadinhas” que o protagonista dá, além da rolagem de esquiva que conta com um timing meio esquisito. Portanto, se você se afobar nos controles, já era.

Há outra coisa que me causou um incômodo, além dos já citados. Ao jogar no controle, senti uma dificuldade para ter mira apurada. Isso é terrível demais e pode custar caro. E tem aquele detalhezinho dos roguelikes que pode deixar qualquer um maluco: se morrer, basicamente voltamos do zero. Portanto, o jogador tem de fazer um considerável esforço para conhecer as minúcias do jogo, incluindo seus problemas. E toda essa atmosfera deixa o jogador ainda mais ansioso, sendo que cada mísero ponto de vida pode fazer toda a diferença…

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Um deslize e você volta praticamente do zero… (Imagem: Divulgação)

Vale a pena comprar West of Dead?

West of Dead tem uma paleta de cores interessante e que traz um tom mais sombrio ao jogo, sendo este o aspecto mais relevante de sua parte gráfica, que não é lá nada demais, mas serve muito bem ao seu propósito. Este aspecto em especial traz uma estética bem particular ao jogo, algo que também influencia positivamente a jogabilidade. A parte sonora também é bem simples e funcional, embora os monólogos narrados por Ron Pearlman sejam o único som ouvido fora os ataques inimigos e os incontáveis tiros disparados por nós.

Com um estilo já bastante difundido, West of Dead é até um bom roguelike, apresentando uma jogabilidade bem simples e intuitiva. O problema é dominar todo o cenário e sua infinidade de acontecimentos, além dos problemas citados torna a tarefa bem mais complexa. O jogo realmente é desafiador e coloca a gente pra pensar, mas acaba esbarrando num problema que eu particularmente me incomodo nos títulos desse gênero: é extremamente repetitivo, mesmo que os mapas e a disposição dos inimigos mude.

Concluindo, West of Dead pode ser uma boa pedida aos fãs do gênero roguelike. Todavia, existem títulos do mesmo estilo que acabam sendo mais interessantes, como o famoso Hades, que você pode ver a análise aqui. No mais, o jogo não tem nada de grandioso que o torne único ou essencial, mesmo me proporcionando horas de diversão.

*Review elaborada em um PC equipado com GeForce RTX, com código fornecido pela Raw Fury.

West of Dead

7

História

6.5/10

Jogabilidade

7.6/10

Gráficos e sons

7.8/10

Extras

6.2/10

Prós

  • Os gráficos trazem uma imersão interessante

Contras

  • Mesmo com o mapa e os inimigos mudando, o jogo torna-se muito repetitivo
  • Alguns problemas de jogabilidade
  • A narração é monótona

Álvaro Saluan

Doutorando em História e graduando em Ciências Sociais, é completamente apaixonado por videogames e escreve sobre há mais de três anos. Vê os jogos para além do entretenimento, considerando todo o processo como uma grande e diversificada arte.