Valheim | Preview

Valheim é um jogo de sobrevivência cooperativa criado pela Iron Gate AB e distribuído pela Coffee Stain Publishing. Ambientado dentro da cultura nórdica, ele o coloca na pele de um dos escolhidos para desbravar o décimo mundo, chamado Valheim, em busca da benção do Deus Odin. A versão em acesso antecipado foi lançada no dia 2 de fevereiro deste ano para PC, via Steam.

Agora, vamos dar uma papeada sobre as impressões que tive baseado no que joguei com um grupo de amigos, inclusive com todas nossas aventuras, desventuras e o que o jogo já vem entregando dentro de sua promessa básica e em quais pontos ainda pode haver melhora.

Mais do mesmo?

Jogos de sobrevivência com elementos de construção e jogador contra jogador, em modelo alpha/beta, já são velhos conhecidos do mercado, principalmente na Steam. Muito famosos há alguns anos, eram os grandes queridinhos de empresas indies que queriam entrar no mercado para angariar fundos para custear o desenvolvimento de seus jogos e, de quebra, testar com uma base de jogadores o que funcionava ou não funcionava, além de apontar bugs e outros erros.

Estaria Valheim, então, dentro dessa definição? Mais ou menos. É importante ter em mente quando se joga algo desse tipo que bugs e erros são coisas comuns. Logo, não se pode ser tão criterioso ao analisar as falhas técnicas do jogo.

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Valheim é um jogo de sobrevivência que pode ser jogado em modo cooperativo (Imagem: Divulgação)

E, começando por aí, vale notar que Valheim conta com uma quantidade considerável. Personagens com texturas sem carregamento, itens voando, alguns bugs de som. Um crash aqui e ali. Nada fora do normal, mas notável levando em conta o estilo cartunesco do jogo. Por outro lado, o mundo aberto é consideravelmente grande. Sem contar, ainda, que ele possui um oceano considerável com inimigos e ilhas para se explorar.

A movimentação e certas animações podem ser um pouco cruas demais às vezes, com frames em falta ou certas ações executadas de maneiras estranhas. A lentidão na execução de movimentos como bater, por exemplo, é natural do estilo de combate mais truncado. Então, nem tudo se resume apenas a questões de problemas de animação, que definitivamente ocorrem.

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A inspiração nórdica está presente em Valheim (Imagem: Divulgação)

No fim das contas, a premissa básica do jogo não é nada de outro mundo. E seu funcionamento não é extremamente fora dos padrões desse tipo de produção em específico. O que chama a atenção em Valheim, então, que pode ter feito o título ultrapassar a marca de 5 milhões de cópias vendidas em um mês? É o que vamos ver agora.

O diferencial de Valheim

O que realmente diferencia o título no mar que é a Steam é a forma de se jogar. O sistema de sobrevivência é básico, nada além do arroz com feijão da mecânica. Coma senão morre de fome, se molhar a noite causa frio e pisar na fogueira te faz sair pegando fogo. Clássico. Mas, é digno de notar que esse não é o maior enfoque do título, e sim um dos pequenos pontos que ajudam na sustentação de mecânicas maiores e dão um sentimento maior que engloba títulos de sobrevivência em mundo aberto.

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Comer é fundamental em Valheim (Imagem: Divulgação)

O início do jogo não é nada demais. Você começa sem itens e sem o conhecimento de como fabricar outras estruturas e equipamentos. Um corvo aparece e começa a explicar as mecânicas básicas de movimentação, coleta de recursos, combate, formas de encontrar chefes pelo mapa e outras coisas mais. O interessante, aqui, é que tudo que você aprende vem de coletar recursos e melhorar algumas habilidades. Coletar os materiais de um arco, por exemplo, faz seu personagem “lembrar” como construir um.

Além disso, ações como bater com certas armas, nadar e pular enchem uma barra que marca o quão proficiente você é naquilo. Algo similar ao visto na franquia Elder Scrolls, com o diferencial de que morrer faz com que você perca um pouco da experiência acumulada.

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Um arco em Valheim (Imagem: Divulgação)

O pulo do gato vem com as mecânicas de combate, principalmente na dificuldade incluída. Ele é o que alguns chamam na praça de soulslike. Baseado na série Dark Souls, ele tem um grande enfoque em defesa e gerenciamento de fôlego. Os inimigos são fortes desde o começo, e não devem ser subestimados. Apesar da inteligência artificial deles ser bem ruim e facilmente explorável, o combate contra inimigos maiores, como gigantes, acaba sendo animador pelo escopo e estratégia envolvidos, o que não se vê sempre em títulos do tipo. Tudo gira em torno do combate e da construção de navios, que é um dos outros pontos positivos da experiência.

Diferentes áreas possuem diferentes tipos de inimigos, com seus próprios níveis e materiais. O corvo dos tutoriais fala isso, mas em um acesso de loucura decidi ignorar seus conselhos e entrar no que chamam de “floresta negra”. Vários goblins me deitaram no braço, perdi tudo que tinha e não consegui voltar porque ficaram me esperando perto do corpo me atirando pedras que matavam quase instantaneamente. Magnífico!

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Não vá para a Floresta Negra no começo da aventura (Imagem: Divulgação)

A construção de bases é funcional, com opção para diversos tipos de fortificação e blocos de construção para que cada um possa construir o que quer da maneira que quer. Novamente, não é nada de outro mundo, mas cumpre bem seu papel. É intuitivo dentro do que se espera de um acesso antecipado, com alguns problemas de posicionamento aqui e ali, mas permite aos que tem paciência e imaginação construírem bases e até cidades de maneira relativamente tranquila.

A construção de navios que brilha, aqui. Não são customizáveis a um grande ponto, mas colocam mais uma camada de profundidade ao mundo e a exploração que realmente ajuda a elevar o título. Juntar madeira e outros materiais para construir uma jangada é extremamente agradável, o que é muito facilitado pela trilha sonora relaxante que o jogo tem.

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Navegar é uma das principais atividades em Valheim (Imagem: Divulgação)

Cortar uma árvore em cima de um morro e ver ela rolar em cima de você, fazendo com que morra e perca todos os materiais e parte da experiência que tinha. Construir uma jangada com muita luta, controlar errado com a direção do vento, bater em uma pedra e morrer afogado. Ou conseguir velejar e na felicidade não ver uma serpente gigante que quebra seu barquinho e te faz afogar. Lindos momentos, feitos melhores ao lados de amigos.

Valheim é um jogo melhor explorado ao se juntar com um bom grupo de bacanas, rindo das situações e se juntando para enfrentar inimigos mais fortes e outros chefes que surgem no mapa. Além disso, em grupo fica mais fácil explorar e encarar os perigos existentes no mundo. Claro, jogar solo é perfeitamente possível e o jogo funciona bem desta forma também.

crafting valheim
Aprender a construir coisas é fundamental para sobreviver em Valheim (Imagem: Divulgação)

O que esperar de Valheim?

Valheim não é um jogo extremamente diferente de outros em acesso antecipado do estilo que existem na Steam, ao menos em sua premissa básica. Mas é nos pequenos detalhes que ele brilha, na exploração do mundo. No combate desafiador que faz o jogador analisar em pensar bem em que armas usar e até onde explorar. No ato de velejar e encontrar novas ilhas, rezando pra serpente do mar não te jantar. É um jogo interessante que vale ser jogado, mesmo em fase de desenvolvimento.

No entanto, certos pontos necessitam claramente de mais trabalho. Animações de personagens, gráficos opacos e erros de renderização, problemas de movimentação em determinados terrenos do mapa. Mas, em sua maioria, são ajustes técnicos que provavelmente serão acertados conforme avança o desenvolvimento do jogo. Tudo em tudo considerado, Valheim é um jogo que já vale a pena ser jogado apenas por sua fundamentação sólida e potencial de diversão pelo combate diferenciado e exploração do mapa.

*Preview elaborada em um PC equipado com AMD RX, com código fornecido pela Coffee Stain Publishing.