Medal of Honor: Above and Beyond | Review

Medal of Honor: Above and Beyond, traz de volta a aclamada franquia de jogos de guerra da Electronic Arts, que retorna após 8 anos sem lançar um novo título! Desenvolvido pela Respawn Entertainment e lançado em dezembro de 2020, para a tristeza de muitos, o jogo foi desenvolvido exclusivamente para dispositivos de realidade virtual no PC e trouxe com ele o peso de ser o primeiro jogo AAA para VR com uma campanha narrativa que se passa na segunda guerra mundial.

A principal proposta de Medal of Honor: Above and Beyond é entregar uma experiência imersiva repleta de ação, onde o jogador não jogue, mas sim “vivencie” os eventos da segunda guerra de uma forma nunca antes vista. O jogo também conta com um modo multiplayer e uma galeria de vídeos com entrevistas e depoimentos exclusivos de veteranos da segunda grande guerra.

De volta às raízes

Medal of Honor: Above and Beyond retorna às raízes e se passa durante a segunda guerra mundial, te colocando na pele de um agente da OSS – Office of Strategic Services (que posteriormente viria a se tornar a CIA), que se junta à Resistência Francesa numa Europa devastada pela guerra e ocupada por nazistas. Como padrão em muitos jogos de realidade virtual, o seu personagem não tem nome (sendo referido apenas como lieutenant ou tenente) e nem falas, justamente para transmitir a sensação de que o personagem na verdade é você mesmo.

O jogo se inicia literalmente no meio de uma batalha, onde você é ferido e precisa ser socorrido por seus companheiros. Depois disso, você acorda deitado, numa instalação médica, onde um tipo de “tutorial interativo” é apresentado. Através de um exame clínico, o médico te auxilia a configurar as opções básicas de conforto em VR, ele te faz um questionário que você responde “sim” ou “não” utilizando gestos com as mãos e movimentos com a cabeça. Após a configuração básica, você é liberado para um próximo tutorial no campo de tiro, onde aprende a manusear os diversos tipos de armas presentes no jogo.

Medal of Honor: Above and Beyond
(Imagem: Divulgação)

Passados os tutoriais, a história de Medal of Honor: Above and Beyond retorna numa base de planejamento (que é o ponto de início antes de cada missão), onde são apresentados seus companheiros de batalha, os objetivos da missão, e também os aliados dentro e fora das linhas de frente. Lá, você conta com um campo de tiro e uma especialista em armamentos, que te dá todos os detalhes técnicos sobre cada arma que decidir testar, bem como informações sobre as classes de inimigos que irá encontrar em cada missão.

Na base, também contamos com simulações das tarefas específicas que você precisa executar, por exemplo: numa das missões, é necessário sabotar uma torre de comunicação nazista, e você pode treinar esse processo de sabotagem dentro da base, antes de efetivamente ir para o campo de batalha. Existe também um treinamento que pode ser feito antes cada missão, que funciona como uma espécie de mini game, e no fim são contabilizadas suas estatísticas, como tempo para finalizar, número de inimigos mortos e etc.

A campanha de Medal of Honor: Above and Beyond começa bem devagar e monótona, mas se desenvolve de forma surpreendente, apresentando combates intensos e cenários variados, que vão de florestas a montanhas congeladas, bases militares, navios enormes e etc. São seis grandes missões, que tem em média 2 horas de duração cada. E é neste ponto que o jogo brilha mais, pois oferece uma experiência completa e consideravelmente longa, quando levamos em consideração o quão curtos são a maioria dos jogos de realidade virtual. Outro ponto alto, é poder visitar e vivenciar momentos históricos, como a invasão da Praia de Omaha, o Estande de Teste VII em Peenemünde e muitos outros.

Tiroteios satisfatórios, porém não passa disso

Sejamos sinceros aqui, poucas coisas trazem maior satisfação do que atirar em nazistas num jogo da segunda guerra mundial! E nesse quesito, o gameplay de Medal of Honor: Above and Beyond entrega aquilo que esperamos, você vai despachar muitos Nazis, seja no melhor estilo “exército de um homem só” ou com ajuda de seus aliados e também à bordo de aviões, tanques e barcos! Porém, infelizmente, o ponto alto do gameplay é somente esse: Momentos de ação e tiroteios frenéticos, porque depois disso, é só ladeira abaixo.

Medal of Honor: Above and Beyond prometeu uma experiência completamente imersiva e interativa, mas entregou exatamente o contrário. As mecânicas de jogo são ultrapassadas em comparação a outros títulos e fica muito difícil não comparar com Half Life: Alyx, que entrega muito mais, por muito menos. Cada uma das 6 grandes missões que citei na primeira seção deste review, na verdade são quebradas em pequenos fragmentos com início e fim, e depois de completar cada um desses fragmentos, você conclui a missão. Com isso, a narrativa é interrompida a todo momento por elementos de “fade out” e “fade in” e também por telas de loading, que quebram totalmente a fluidez e continuidade do gameplay.

Medal of Honor: Above and Beyond
Os tiroteios e combate são o ponto alto do jogo (Imagem: Divulgação)

Os personagens de Medal of Honor: Above and Beyond, especialmente os aliados, são consideravelmente apáticos e inexpressivos, com poucas movimentações e transmitem uma sensação meio robótica, se assim posso dizer. Não se engane com a capacidade que os inimigos tem de jogar de volta as granadas atiradas contra eles, pois, a inteligência artificial destes, não é muito elaborada, e dá impressão de ser totalmente “pré-definida”. O melhor exemplo que posso dar, é que um inimigo de nível 1 sempre se comporta como um peso de papel, e um inimigo nível 5 vai te acertar com uma precisão absurda instantaneamente e possivelmente te matar assim que você colocar a cara para fora de uma proteção.

A interatividade em Medal of Honor: Above and Beyond está presente de forma muito limitada e seletiva e alguns elementos do ambiente até podem ser manuseados como armas, porém, no mesmo cenário onde é possível utilizar panelas para atacar seus inimigos, você vai encontrar garrafas que não se quebram, mesmo com tiros de escopeta! Essa limitação também vale para os veículos, onde você basicamente só utiliza como passageiro e atua como atirador em diferentes armamentos montados. Infelizmente, não dar a chance de pilotar nenhum veículo, foi uma grande oportunidade perdida.

Medal of Honor: Above and Beyond
Seja parte da resistência! (Imagem: Divulgação)

A utilização das armas me trouxe uma sensação mista, que tem seus altos e baixos. O maior ponto positivo, é que existe uma diferenciação muito clara nas funções e comportamento de cada arma, a SMG americana se comporta de forma muito diferente da SMG alemã, por exemplo. E apesar de ser possível concluir as missões utilizando somente um tipo de arma, a sua vida se tornará muito mais fácil e gratificante se você souber explorar as diferentes possibilidades de armamento em cada situação. Em Medal of Honor: Above and Beyond, o manuseio das armas junto com o sistema de recarregar é bastante simples, mesmo incluindo o processo de ejetar/encaixar o cartucho e engatilhar manualmente.

As granadas em realidade virtual são sempre uma diversão a parte, pois dependem totalmente da sua mira e jeito/força ao lançá-las. Porém a mecânica de segurar objetos em Medal of Honor: Above and Beyond não é perfeita, e as vezes pode ter física um pouco anti-natural, portanto, vale a pena praticar um pouco, para não correr o risco de desperdiçá-las ou até mesmo cometer suicídio ao lançá-las muitos próximas.

O ponto negativo para mim, foi quanto à sensação que as armas te transmitem, o que é um ponto subjetivo, porém muito importante quando se trata de realidade virtual. Na maior parte do tempo, eu senti falta de potência ao atirar, senti falta de um feedback mais forte e também de sons mais encorpados. A grosso modo a sensação final para mim, é de estar atirando com armas de airsoft.

Ambientação, gráficos e performance

Medal of Honor: Above and Beyond conta com uma ambientação convincente e bem detalhada visualmente, os mapas são bonitos, bem contruidos e contam com muitos elementos. A percepção de escala também foi muito bem implementada, e isso se torna ainda mais evidente na primeira missão dentro de um avião quando os caças inimigos se aproximam.

Porém, apesar dos bons gráficos, nada fica extremamente acima da média, o que torna injustificável os requisitos mínimos/recomendados absurdos para rodar o jogo. Retirando as informações da página oficial da Oculus, estamos falando aqui de um processador Intel i7 9700K, placa de vídeo GeForce RTX 2080, 16GB de RAM e 180GB de armazenamento. Após algumas atualizações e melhorias de performance, foi informado que seria necessário pelo menos uma GeForce GTX 1080 para rodar o jogo nas configurações mínimas, porém, mantiveram a mesma especificação de processador.

Medal of Honor: Above and Beyond
A percepção de escala em veículos é excelente (Imagem: Divulgação)

Para piorar, não podemos contar com muitas configurações gráficas, tendo disponível apenas ajustes básicos, o que torna problemática a experiência daqueles com um hardware abaixo do recomendado. Eu testei o jogo já na versão 1.24.0 (atualização mais nova até a data deste review) utilizando um Oculus Quest 2 conectado via Link a um PC com i7 6700K e GeForce RTX 2060, e mesmo reduzindo a taxa de atualização para 72Hz (ao invés dos 90Hz nativos), tive grandes problemas de performance, com todas as opções gráficas no mínimo, exceto a resolução, que mantive dinâmica.

Opções de conforto em realidade virtual

Esse é um tópico que merece muita atenção, pois pode ser determinante se um jogador vai ou não conseguir desfrutar do jogo. Algumas pessoas são mais sensíveis à determinados elementos da experiência em realidade virtual e para isso são necessários ajustes nas configurações de conforto. Eu já tenho experiência com realidade virtual há pelo menos 4 anos e pouquíssimas vezes me senti desconfortável, mas acredito que Medal of Honor: Above and Beyond tenha opções suficientes para suprir as necessidades também dos novatos.

Na versão 1.24.0 de Medal of Honor: Above and Beyond, estão presentes opções para configurar a movimentação de giro da câmera, se será contínua ou em etapas e também quantos graus a câmera irá girar em cada toque no no analógico. É possível selecionar 4 tons diferentes da cor da pele do seu personagem, e também se ele é mais magro ou mais robusto (gordo não é uma opção), também é possível escolher se todo o corpo será visível ao observar a si mesmo, ou se o tronco será invisível, permanecendo somente as mãos flutuantes. Também é possível selecionar o modo para jogar sentado, que em muitos momentos eu utilizei para descansar as pernas.

Medal of Honor: Above and Beyond
A perspectiva dentro do jogo. (Imagem: Divulgação)

Completando a lista você também pode escolher como prefere que o dano que você recebe seja apresentado na tela (tela vermelha, ou sinais mais sutis) e também uma opção para pular partes de ação extrema (que contenham muitas sacudidas da tela e movimentos desconfortáveis para o jogador). Recomendo fortemente não habilitar essa última opção, pelo risco de perder partes memoráveis do jogo. Utilize apenas em casos de náuseas, tonturas ou desconforto em níveis que te impeçam de jogar.

Vale a pena comprar Medal of Honor: Above and Beyond?

A resposta curta e direta é: por 300 reais, definitivamente não. Mas, elaborando melhor, Medal of Honor: Above and Beyond é um jogo que vale a pena ser jogado, caso você goste da clássica temática de segunda guerra mundial, porém, aguarde uma promoção significativa para comprá-lo. E se você não é tão fã de jogos de tiro, dificilmente este seria um título para te fazer mudar de ideia.

A seu favor, o jogo conta com ótimos momentos de ação, e diferente da maioria, traz uma campanha longa e completa, que depois da primeira missão um pouco monótona, foi muito agradável de se jogar. Acredito que as mecânicas de jogo ultrapassadas e o gameplay pouco consistente, não sejam tão incômodos a ponto de classificar o jogo como ruim e são fatores que serão mais relevantes para veteranos da realidade virtual do que para os novatos.

Por fim, tenha em mente que para rodar Medal of Honor: Above and Beyond com uma performance satisfatória, será necessário um PC high-end (acima dos padrões para VR) principalmente se for utilizar com headsets de gerações mais novas que possuem alta resolução e taxa de atualização.

*Review realizada em um PC equipado com GeForce RTX 2060, com código fornecido pela Electronic Arts.

Medal of Honor: Above and Beyond

R$299,00
6.5

História

6.5/10

Jogabilidade

6.5/10

Gráficos e sons

8.0/10

Performance

5.0/10

Extras

6.5/10

Prós

  • Gráficos e ambientação
  • Momentos de ação convincentes
  • Campanha extensa para padrões de VR
  • Atirar em nazistas

Contras

  • Interatividade limitada
  • Gameplay com muitas interrupções
  • Personagens robóticos
  • Inteligência artificial abaixo da média
  • Requisitos mínimos/recomendados absurdos

Pablo Borges

    Fascinado por tecnologia desde a infância, começou a jogar videogames antes mesmo de aprender a andar. Afirma categoricamente que Metal Gear Solid é a melhor franquia de todos os tempos! Atualmente, graduando em Sistemas de Informação e entusiasta de realidade virtual.