Kaze and The Wild Masks | Review

Jogos de plataforma fizeram um sucesso absurdo entre o fim da década de 80 e os anos 90. Impulsionados pelo excelente qualidade dos títulos da época, não era raro encontrar em uma casa com um SNES ou um Mega Drive games como Sonic the Hedgehog, Super Mario World, Donkey Kong Country, entre outros clássicos da era 16-bits. Jogos que marcaram uma enorme geração de jogadores, que hoje estão no mercado de trabalho e, alguns, se enveredaram para o lado da programação. Assim surgiu Kaze and The Wild Masks.

Desenvolvido pelo PixelHive, com sede em Porto Alegre, e publicado pela holandesa SOEDESCO, o game é uma homenagem aos clássicos jogos que aqueciam a minha infância na década de 90. E, como dito logo acima, não só a minha, como a de milhões de pessoas que fizeram dessas franquias algumas das mais bem sucedidas da história. Quer saber o que achamos de Kaze and The Wild Masks? Vem comigo que vai começar mais uma review antecipada do Pizza Fria!

Uma singela homenagem

Kaze and The Wild Masks chegará ao mercado cerca de um ano e meio após ter sido oficialmente revelado pela SOEDESCO, em novembro de 2019. A proposta, as cenas de gameplay e o trailer rapidamente caíram nas graças da comunidade “mais veterana”, pois aquilo tudo parecia bom demais para ser verdade. Ter um novo jogo, inspirado em clássicos que marcaram época, refeitos para as plataformas modernas? Era melhor aguardar pra ver. Aí, em 2020, pudemos jogar algumas demos do jogo, seja em fases beta, ou em festivais promovidos pela Steam. Aí, meus caros leitores, o hype se tornou real.

Ainda em estágio de desenvolvimento, Kaze and The Wild Masks oferecia um gameplay nostálgico e fluído. Afinal, muitas das referências que guardávamos em nossos corações estavam ali: desde as fases em que nos transformavam em animais em Donkey Kong Country, até o som de pegar moedas de ouro e anéis em Super Mario World e Sonic the Hedgehog, respectivamente. Era um diamante em lapidação.

Kaze and The Wild Masks
Com uma apresentação bem familiar, Kaze and The Wild Masks é um clássico jogo de plataformas (Imagem: Divulgação)

E esse diamante se tornou uma linda pedra preciosa. Kaze and The Wild Masks consegue suprir nossa saudade e nossa nostalgia com maestria, e eu diria que em alguns momentos chega até a superar suas principais referências. Eu jamais desmereceria clássicos de plataforma como os já citados, mas o game do PixelHive consegue criar sua própria uma identidade ao misturar elementos desses jogos.

Vejamos: nossos objetivos em Donkey Kong Country eram encontrar as letras que formavam a palavra KONG e localizar os bônus. Isso está presente em Kaze and The Wild Masks. Já em Super Mario World e Sonic the Hedgehog, a gente deve encontrar moedas e anéis que impulsionam nossa pontuação e tentar terminar as fases o mais rápido possível, encontrando alguns segredos pelo caminho. De certa forma, Kaze and The Wild Masks mesclou tudo isso e criou sua própria identidade.

Kaze and The Wild Masks
Voe em Kaze and The Wild Masks como em Donkey Kong Country (Imagem: Divulgação)

Um gameplay bem diversificado

Kaze and The Wild Masks poderia ser um apenas mais um clássico de jogo de plataformas, mas ele vai além. Como sugere o título do jogo, as “máscaras selvagens” são encontradas por algumas das fases e permitem à Kaze ganhar habilidades ao usá-las. É possível se transformar em uma águia, um tubarão, um tigre e um lagarto (ou seria um dragão feroz?). Cada um com sua respectiva habilidade.

Pegando habilidades diretamente referenciadas de Donkey Kong Country, a águia e o tubarão fazem o mesmo que o papagaio e o peixe-espada fazem na clássica franquia da Nintendo: a primeira transformação voa e atira uma rajada, enquanto o tubarão permite nadar livremente, além de atacar inimigos embaixo d’água.

Kaze and The Wild Masks
A máscara da águia te dá asas, e permite cuspir uma rajada para derrotar os inimigos (Imagem: Divulgação)

Já a máscara de tigre pega emprestado alguns elementos de alguns bosses de Mega Man X, permitindo ao jogador escalar paredes e dar poderosos dashes aéreos, que derrotam inimigos e ajudam a ultrapassar longos precipícios. O lagarto, que pra mim mais parece um dragão, perde totalmente o freio e sai em disparada para frente. Das quatro transformações, é a mais difícil de se controlar porque simplesmente não há controle. A câmera de rolagem lateral passa a acompanhar Kaze em alta velocidade, não há como frear e é necessário ser preciso para não errar os pulos e morrer.

Mas falhar em Kaze and The Wild Masks é uma opção. Talvez seja até indicado, inclusive. Com carregamentos muito rápidos, e como não há um número de vidas no jogo, você pode tentar quantas vezes achar necessário para superar os desafios impostos pelo game. O mundo é dividido em quatro ilhas e, para obter os 100%, é necessário encontrar as letras da palavra KAZE, encontrar e vencer as duas fases bônus de cada estágio, além de coletar mais de 100 cristais em cada cenário. São 27 fases tradicionais, quatro extras, uma por mundo, que são desbloqueáveis ao completar todas os bônus da ilha, além de quatro batalhas contra chefes.

Kaze and The Wild Masks
A poderosa máscara do lagarto (Imagem: Divulgação)

O toque adicional de nostalgia

Não bastasse Kaze and The Wild Masks ter muitas referências em seu gameplay que lembrasse os clássicos jogos de plataforma, os desenvolvedores ainda decidiram que só isso não bastaria: era preciso ir além, e para isso, focaram em uma arte bastante adequada para a época homenageada, além de uma trilha sonora que lembra os melhores momentos dos jogos na década de 90. É simplesmente espetacular jogar e ouvir aquilo que foi feito.

Até mesmo a forma de se contar a história é diferente. Por meio de desenhos animados, desbloqueáveis a medida que você avança nas ilhas, o jogo vai te sintonizando no que está acontecendo. É verdade que a “narrativa” é algo totalmente secundário, sem diálogos e criada a partir desses vídeos liberados. Então, fica claro que ela só está ali para fazer o jogo avançar e não é necessariamente parte mudar a forma como você vê o mundo.

Kaze and The Wild Masks
As animações de Kaze and The Wild Masks foram muito bem construídas (Imagem: Divulgação)

No entanto, sinto que ela poderia ter sido um pouco mais elaborada, com uma dublagem ou mesmo textos espalhados pela tela. No entanto, nada disso se faz presente. Para o propósito de Kaze and The Wild Masks, ela funciona, mas talvez poderia ter ganho um pouco mais de atenção.

Já os jogadores fissurados em colecionáveis e conquistas, garantem um desafio extra para obter a platina. Após terminar cada uma das fases, é possível repeti-las e fazer time trials, terminando-as dentro de um tempo determinado pelo jogo. Os mais ambiciosos ainda podem tentar obter conquistas ainda mais complicadas, como terminar o jogo em menos de 2 horas, concluir todas as ilhas sem sofrer dano ou terminar uma fase sem coletar um cristal sequer.

Vale a pena comprar Kaze and The Wild Masks?

Se você chegou até aqui, caro leitor, já deu para perceber que o que penso de Kaze and The Wild Masks. O game é homenagem às obras-primas da década de 1990 e cumpre com perfeição o papel que lhe foi dado. Em mais de 9h de gameplay, tive uma experiência divertida, desafiadora, por vezes estressante, mas que foi impulsionada por uma jogabilidade bem construída e que não enjoa. O ruim? É que acaba.

Kaze and The Wild Masks chega na próxima sexta-feira, 26, para Nintendo Switch, PlayStation 4, PC, via Steam, e Xbox One. O título pode ser jogado tanto no PlayStation 5, quanto nos Xbox Series X|S, através da retrocompatibilidade.

*Review elaborada em um PlayStation 5, com código fornecido pela SOEDESCO.

Kaze and The Wild Masks

8.8

História

6.5/10

Gameplay

9.5/10

Gráficos e sons

10.0/10

Extras

9.0/10

Prós

  • Gameplay fluído e divertido
  • Nostálgico
  • Muitos desafios para colecionadores
  • Lindos gráficos em 16-bits
  • Trilha sonora espetacular

Contras

  • História poderia ter sido mais elaborada

Lucas Soares

Jornalista e fã de videogames desde criança. Já teve Mega Drive, Game Boy Color, PS1, PS2, PS3, PS4, PSVR, PS Vita, Nintendo 3DS e agora tem "só" um PS5 e um PC Gamer. Para ele, o melhor jogo da história é Chrono Trigger, mas Metal Gear Solid 3, Final Fantasy X, The Last of Us Part II e Red Dead Redemption 2 completam o Top-5.